Quem sou eu?

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Belo Horizonte, Minas gerais, Brazil
"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos." (Saint-Exupéry) Uma pessoa comum, fora do normal. Sou mais do que as pessoas pensão e menos que elas esperam. Posso ser um rei, um carrasco, mendigo. Mas sou apenas eu mesmo, sem muita coisa, apenas o bastante pra cativar as raposas ao meu redor, e me permitir ser cativa-do pela mesma.

Um dia de chuva

Hoje não parece ser um bom dia o céu esta escuro, o sol se esconde entre tantas nuvens. Mas olhem meu amor veio me buscar. Mas acho que não vai dar pra sair, aquele céu escuro e estranho nem da mais pra ver no meio de tanta chuva. Pelo que da pra notar não vai ter como sair de casa, ainda bem que estou com uma companhia agradável.

Se tem que ser assim por que não aproveitar isso tudo, rapidamente providencio pipoca e um bom filme, um cobertor bem quente e logo me vejo nos braços do meu amado, enquanto o mundo lá fora esta acabando, aqui dentro me sinto no céu. Mas como tudo que é bom dura pouco, a luz acaba. Posso escolher entre ficar chateado ou no escurinho e com aquele barulho de água aproveitar pra conversar, colocar o papo em dia. Descobrir mais sobre o meu companheiro. Nada melhor que ficar em casa dessa maneira, quem dera todos os dias de chuva pudesse ser assim.

Mas bem olha ai você indignado ao ler todas essas palavras de um apaixonado, pois bem, posso me colocar no seu lugar, por mais que escreva tudo isso, ainda não tenho um amor pra passar o dia de chuva comigo.

Então começa aquela chuva que vai acabar com o mundo, acabei de ligar pro serviço e avisa que não irei trabalhar hoje, pois não tem como passar no meio de tanta água, tem algumas opções já que não tenho um namorado. Posso ficar chateado e aborrecido, perdendo assim o dia de folga inesperada que ganhei, posso me esconder de baixo de um cobertor super quente e assim também perder o meu dia, ou posso fazer do meu dia o melhor possível, sem importar com o mundo lá fora.

Como não sou bobo resolvi aproveitar o dia, fiz uma pequena lista do que fazer hoje, primeiro arrumar a bagunça do quarto que esta pra ser feita a semanas ou meses? Não me lembro mais. Comecei, derrepente achei uma conta que tinha que ser paga mês passado, um urso do meu afilhado (que achava que tinha perdido na rua), um pouco da pizza e um resto de refrigerante, algumas roupas sujas. Mas a parte boa de tudo isso vem agora, lá no canto cheio de poeira e com uma fina camada de teia de aranha, vejo um brinquedo que há muito tempo foi esquecido, junto dele algumas fotos de infância, é como se tudo voltasse como era antes, quando corria sem parar com aquele carrinho que na época toda criança queria e que hoje não passa de uma doce lembrança. As fotos sempre com um grande sorriso e com os pés descalços, aquela falta de preocupação com qualquer coisa que seja, um ou dois dentes faltando, por molecagem ou coisa do tempo. Meus olhos se encheram de água e com uma lágrima molho a foto mais importante, aquela onde estão todos reunidos, meus irmãos, meus pais, avós, tios, primos e por ai vai. Analisando cada um posso ver como o tempo passou, alguns nunca mais viram, outros foram por caminhos ruins, e tem aqueles “certinhos” da família (os caçulas) que por mais que façam de errado sempre serão os anjos da mame e do papai. Com tantas lembranças e sorrisos, coloco uma musica bem alta e começo a rapidamente a arrumar o quarto, nem vejo o tempo passar, e depois de tudo pronto acabo pegando no sono. Acordo com o despertador louco a gritar, abraçado ao ursinho e meu carinho, coloco cada coisa em seu lugar e pego minha pasta, aquele dia especial já passo e o que me resta é a rotina dura do dia a dia.

Grito de Socorro



Hoje me sinto fraco acordei um pouco estranho, fui pra rua observar os pássaros, os movimentos das árvores e sentir na pele o vento gelado. Que diferente, depois de muito tempo sem chuva, posso ouvir os pingos de água, o cheiro de terra molhada não me deixa enganar. Começo a correr, pois não queria molhar, mas a chuva chega rápido. Chego em casa e tomo um banho quente pra não resfriar ou pegar coisa pior.
           
No silêncio da casa começo a reparar no escuro, na solidão, como já sabem não sou uma pessoa muito forte. Na minha cabeça começam a passar cenas de dor ou desespero, e algumas soluções pra isso tudo, pensei em tomar vários remédios e nunca mais acordar, colocar uma corda no pescoço e pular de um lugar bem auto. Mas acabei optando por meus pulsos, sem muito pensar, cortei os dois. O desespero tomou conta de mim ao ver tanto sangue no chão, comecei a ficar fraco, podia sentir cada gota se derramar sem motivo, o coração já não batia como antes, em cada segundo batia menos e menos. No ultimo suspiro senti algumas lágrimas e um corpo quente a me pegar.

Vejo minha alma fora do corpo e tenho a certeza que estou morto, as lembranças tristes e sofridas já não estão mais em minha mente, só consigo ver momentos felizes, onde corria sem parar, brincava e sorria muito apesar de tudo que estava vivendo. Mas volto ao hospital, posso ser revivido por pessoas que nem ao menos sabe quem sou.

Posso ouvi vozes de pessoas que amo muito, mas que deixei pra trás ao pensar só em mim. Veja meus amigos todos pedindo a Deus pra não deixar que eu morra e aqueles que nunca vi chorar, hoje posso ver lágrimas sofridas de seus olhos. No canto vejo minha mãe em prantos, pedindo com todas as forças pra voltar. Me pego chorando, achei que depois da morte tudo iria se resolver, todas as dores terminariam. Mas não vi que tal ato de puro egoísmo faria tanto mal as pessoas, agora era tarde pra arrependimento, já estou me conformando com tudo isso.

Olhem o bom medico vai dar à dolorosa noticia minha mãe não se conforma e com uma força nunca vista, entra na sala onde estava meu corpo, pega minha mão cheia de sangue e com raiva, ódio e medo daquilo tudo, começa a me bater e pergunta o por que de tudo isso, antes que pudessem retira La de perto do corpo, um ultimo pedido foi feito, esse com tanta esperança e amor, que acabou sendo atendido. Minha alma foi arrastada com tanta força pra onde nunca devia ter saído que não consegui me lembrar do que aconteceu enquanto estava na sala medica. Depois de tanto acontecido o que me resta é a culpa de um ato egoísta, mas o amor e a compreensão dos que me conhecem me faz entender por que voltei a viver.

Agora olho as marcas disso tudo e pra não esquecer, vou telas pelo resto da minha vida, as cicatrizes nos meus pulsos são feias, mas o amor de Deus por mim aumenta cada dia a minha esperança na vida, hoje posso sorrir e abraçar minha mãe, meus amigos e sentir novamente a chuva a me tocar, pois sei que só Deus pode dar ou retirar uma vida e não cabe a nós decidir isso.