Quem sou eu?

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Belo Horizonte, Minas gerais, Brazil
"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos." (Saint-Exupéry) Uma pessoa comum, fora do normal. Sou mais do que as pessoas pensão e menos que elas esperam. Posso ser um rei, um carrasco, mendigo. Mas sou apenas eu mesmo, sem muita coisa, apenas o bastante pra cativar as raposas ao meu redor, e me permitir ser cativa-do pela mesma.

A MAIS BELA DE TODAS

Lembram-se da rosa e o coração de pedra? Pois bem, venho desfazer o engano, a rosa ainda continua linda, mas o tal coração que eu julgava ser de pedra, não passa de gelo e eu achando como sempre ser o único certo lhe julguei errado. O gelo hoje se transforma em água, ou melhor, em lágrimas. Ver minha mãe chorar e junto dela derramar lágrimas foi emocionante, ela não parava de falar que me amava e que apesar de tudo nunca perdeu a confiança em mim. Lembro-me dela chegar com uma garrafa de cerveja revoltada e a me ver debochar, com os olhos cheios de água, de repente os dois estavam chorando. Ela sentada do meu lado começou a desabafar, eu ainda atordoado não sabia fazer nada alem de chorar. Ela me contou toda sua vida sofrida e a todo tempo demonstrava que apesar de tudo me amava e nunca deixaria de me amar.

Mil coisas se passaram em minha mente, não conseguia falar, meus sofrimentos misturados com felicidade não me permitiam, gaguejando tentava falar alguma coisa que era entendível, mas ainda confuso. Mas meus ouvidos quase explodiram, meus olhos não pararam mais de chorar, e meu coração quase não suportou ouvir minha mãe dizer: Eu sofri muito com tudo isso, você veio e jogou tudo na minha cara, esperando uma reação boa, com os filhos dos outros é tudo mais fácil, eu não fui criada nessa geração, nasci na roça e não fui ensinada pra isso, mas você foi o filho que eu sempre confiei ou melhor que confio, pois ainda confio, não pude dar as melhores roupas, os melhores estudos e nem mesmo muito atenção, pois quando eram crianças eu trabalhava dia e noite pra que não ficassem com fome. Mas me entenda meu filho, nunca quis ver o seu mal, não deixaria ninguém pisar em vocês, e se um dia precisar voltar, essa casa é sua e de seus irmãos eu lutei a vida toda por isso, pra terem um lugar.

Ela se culpa tanto, por achar que não conseguiu dar o que queríamos, mas pelo contrário ela deu a melhor coisa o amor e apoio quando mais precisamos, ela soube puxar as rédeas e ate mesmo nos soltar na vida pra aprender a viver, tudo que tenho e tudo que sou hoje devo a ela, queria que ela pudesse ver isso, e perdesse um pouco de culpa, por achar que não foi uma boa mãe, mas nunca a trocaria por nenhuma outra. Foi tão difícil ver ela como uma pessoa frágil ali do meu lado chorando, foi tão difícil rever meus erros e pensar no que fiz. Agora escrevendo tudo isso não consigo parar de chorar, os sentimentos ainda estão recentes. Sinto falta de ser criança, onde não tinha que me preocupar com nada, apenas em brincar, correr, pois ainda não conhecia o verdadeiro sentimento.

Ela tem um coração tão bom, só eu não conseguia perceber, a pedra estava nos meus olhos e não me permitia reparar na grandeza da melhor pessoa do mundo, depois de tanto chorar acho q a pedra caiu e pude ver melhor, ver a verdade. Ela ainda não se acostumou com tudo, mas esta se esforçando, e eu também não quero mais ver ela chorar por mim. Sinto falta de abraçar, e deitar na cama enquanto falamos da vida ou então a ouvir reclamar da rotina da sua vida, sinto falta de deitar no colo dela e enquanto passava a mão nos meus cabelos começava a me puxar a orelha, pois sabe que sou capaz de fazer mais do que penso.

Faço-me de forte, mas não sou nada alem de uma criança indefesa precisando somente de um abraço, me recolho no canto e fico a imaginar se tudo fosse diferente, se eu fosse rico, acho que não teria uma mãe tão boa e nem mesmo seria uma pessoa tão bem formada e capaz de correr atrás do que eu quero (apesar de ainda não saber o que eu quero).

O dia 5 de Dezembro de 2010 vai ficar pra todo o sempre na minha lembrança. Pois foi o dia que vivenciei a bela que se passava por fera, ser nada alem do que ela mesma, foi o dia em que a chuva caia e eu ouvia a todo o tempo coisas que antes me recusava a ouvir, verdades sinceras sem farpas, cascalhos, apenas amores e carinhos. Sinto-me aliviado, pois agora tenho a certeza que ela me ama, sei que não devia ter duvidado, mas a dor nos engana e faz ver mentiras insanas. Hoje apesar de ainda chorar, me sinto feliz, um grande peso foi retirado das costas. Mas ainda não sei por que, um vazio enorme esta dentro de mim, me falta alguma coisa muito grande e não sei o que pode ser, me passa mil e uma ideias, mas nem uma delas me preenche. Preciso saber o que me falta, isso ta me machucando. Quero fazer algumas loucuras (sair de casa), mas tenho tanto medo de me arrepender, de não conseguir sobreviver lá fora sem a minha família. Mas será que é isso que me falta? Saber viver sozinho, me vivar, sem depender de alguém? Essa pergunta ainda acaba comigo, o que será que ainda me falta?

Nascendo para Morrer

Olhem essas crianças que acabaram de nascer, vem sempre o pessimista e fala: coitadas não sabem onde está entrando, um mundo de porcos e pessoas ingratas, se fosse eles continuariam lá dentro. O otimista logo fala: felizes crianças, grande salvação do mundo, elas iram mudar o que agora são só trevas. Mas seja o que quiserem só o tempo será capaz de nos mostrar. Pois ai esta ele disposto a mostrar a evolução delas, linda criança como tal inquieta e brincalhona. Podemos aos poucos ver ela crescer, o primeiro dente, as primeiras palavras, as pirraças, a entrada na escola.

Olha ai a tão temida adolescência aquele onde vão provar coisas ruins ou apenas estudar, depende de quem seja. Vamos ver as revoltas, as brigas e os palavrões que eles aprenderam na escola. Quem diria a primeira namorada, aquela que vai lhe ensinar o que é o amor, a dor que ele pode causar.  A cara cheia de espinhas, os hormônios a flor da pele, a raiva, as brincadeiras e por fim vejo meus pais com lágrimas nos olhos ao me ver partir por aquela pequena porta, e seguir meu caminho agora sozinho.

Pronto agora sou adulto, já passo a fazer de brincadeiras e revoltar coisas serias, agora tenho que trocar brinquedos e bolas, por lápis e borracha, uma noite de filmes por trabalho, o peso da bolsa de valores hoje importa mais do que qualquer coisa no mundo. A correria e a monotonia do dia a dia me fazem seguir enfrente sem nem mesmo questionar. Mas em um belo dia, aquele parecido com todos os outros por causa da rotina. Derrepente no meio do caminho esbarro com um anjo, esqueço do horário e a reunião que tanto esperei por meses, ela com um sorriso vergonhoso pede desculpa e sai do mesmo jeito que apareceu. Mas desatenta e preocupa acaba esquecendo a sua carteira com os seus documentos e felizmente seu endereço, como não sabia o que fazer pra esquecer aquele anjo lindo. Depois de um dia de rotina, fui a casa dela entrega-lhe os documentos, ela muito educada e agradecida me convida pra entrar e me sentar, ainda vermelho de vergonha me sento no sofá de uma casa simples e muito confortável, bem diferente daquele apartamento frio e solitário onde vivo. Quanto mais olho pra ela, mas me encanto, e é lógico que não perdi o contato com tão doce pessoa. Depois de meses me declaro e por minha alegria ela também sentia o mesmo, e sem tempo a perder do mais um grande passo na vida, o tão temido casamento. Mas eu fui privilegiado, a mulher perfeita esta aqui do meu lado está sempre a trabalhar, mas ela sabe o momento e como sair da rotina, me provoca e faz de mim a pessoa mais feliz. Hoje brigamos um pouco, mas coisa de casais amanha voltaremos a nos amar mais que em qualquer outro dia.

O tempo passa e podemos ver agora nossos filhos crescerem, e assim como eu fiz saírem de casa para viver suas vidas, progredirem ou não, mas eles têm a certeza que quando precisar seus pais estará ali pra ajudar, depois de muito tempo a discutir e ver aquelas crianças crescerem voltamos a sermos só nós dois, a casa já não é tão silenciosa, os almoços de domingos são bagunçados e barulhentos, filhos, netos, sogros e sogras. Todos reunidos na mesma mesa pra celebrar a felicidade de ter uma família.

Hoje já velhinhos e com tantas lembranças me sinto sozinho, e desamparado, depois de tantas recordações, começo a chorar, será que morreria sozinho? Minha cabeça velha e já um pouco caduca diz que sim. Mas sinto um calor estranho e um abraço forte, voltei a terra depois disso, e meu coração já cansado se acalma ao ver ainda aquele sorriso de anjo, ela minha única companheira, e derrepente ouvimos uma voz forte, era apenas meu neto crescido que resolvera morar com os velhinhos , chamando pra tomar nossos remédios pois estava na hora. Ele é atencioso e cuidadoso e alegra a casa com seu jeito brincalhão.

Mas como todos nós esperamos a morte veio nos abraçar, minha querida e linda mulher se vai primeiro, mas meu coração frágil e apaixonado, não se permite viver sem ela. Antes de encontrar com meu amor, chamo meu neto, e lhe digo aos ouvidos com a voz fraca: parabéns pela pessoa que você é, seja sempre assim acertando ou errando, acima de tudo viva, erre, pois só assim vai saber como acertar, chore pois as lágrimas podem limpar seus olhos e lhe mostrar a verdade, viva sem medo da solidão, pois quando menos esperar o destino vai lhe colocar um anjo com sorriso tímido no seu caminho, e não deixe ele voar segure seu anjo pois o mesmo vai lhe acompanhar por toda sua vida. Com um sorriso o velho fecha os olhos e suas ultimas frases foram: não tenha medo da morte, pois nascemos pra morrer e ela não é nada mais que uma grande amiga.